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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Conheça o Windows 7, a nova aposta da Microsoft

A Microsoft acertou a mão no Windows XP, que é o sistema operacional mais usado
do mercado e com maior índice de aceitação. Questões importantes de segurança
sempre perseguiram o sistema, entretanto a facilidade de uso e a estabilidade o
colocaram em lugar de destaque. Seu sucessor, o Windows Vista não obteve o mesmo êxito: não caiu no gosto dos usuários ou das empresas. A empresa agora aposta suas fichas no Windows 7, sistema operacional que recentemente saiu da fase release candidate (versão candidata a final, que serve para usuários avançados e técnicos testarem, apontando falhas e pontos de melhoria) e está praticamente pronto para o lançamento no mercado.

Um dos grandes calcanhares de Aquiles do Windows Vista era o desempenho em
computadores menos potentes, pois requer processadores de ponta e um bom volume
de memória RAM, pelo menos 1GB. Ele é muito oneroso para computadores mais
limitados e completamente inviáveis para os populares netbooks (notebooks
ultraportáteis). Por isso um dos pré-requisitos do Windows 7 é ser mais leve e,
portanto, rodar até em netbooks.

Windows 7 tem interface parecida com a de seu antecessor, o Windows Vista, mas
apresenta melhores recursos visuais. O papel de parede muda de tempos em tempos.

Testes

Eu testei a versão Entreprise, que tem todas as funcionalidades da versão
completa e foi liberada para que as pessoas possam experimentar o sistema por 90 dias. É possível baixar esta versão acessando este link. Seu desempenho foi satisfatório para uso de internet (navegação, comunicadores, transferência de arquivos e acesso a conteúdos multimídia como áudio, vídeo e animações), além de aplicativos para escritório, como os programas Word, Excel e PowerPoint.

Esses testes foram executados em três computadores. O primeiro com processador AMD de 1,8 GHz, 512 MB de memória RAM, processador Intel Dual Core com 2,4 GHz e 2 GB de memória. O segundo, com processador Intel Quad Core de 2,8 GHz com 4 GB de RAM. Dei mais atenção ao computador mais limitado, para descobrir se a promessa da Microsoft em criar um sistema leve para computadores mais modestos era verdade.

No caso do notebook com Intel Centrino Dual Core, tive evidências de forma mais
enfática da melhora no desempenho. O tempo de abertura dos aplicativos foi
reduzido em média 40% e a experiência de uso (sensação de agilidade durante o
uso dos aplicativos) é melhor no novo sistema. Essa melhora de desempenho se
deve, em partes, à redução no número de aplicativos e serviços que são iniciados de forma automática. O sistema utiliza menos recursos e, por conseqüência, gera a sensação de maior velocidade para o usuário.

Recursos visuais

Sempre que surge um novo aplicativo ou sistema, muitos se preocupam em saber
como está sua aparência. O Windows 7 traz mudanças sutis em relação a seu
antecessor. Uma característica marcante do Vista foram os ícones grandes e bem
trabalhados/detalhados.

Os ícones podem ser configurados de forma a ficarem enormes. O tamanho exibido
na imagem ainda não é o maior possível e, mesmo assim, eles não perdem
qualidade. Ideal para usar em dispositivos touchscreen, ou sensíveis ao toque.


Isso fica mais evidente no 7 com a barra do iniciar mais grossa e com uma
organização um pouco diferente. A inicialização rápida – aqueles atalhos que
ficam ao lado do botão iniciar – teve sensível aprimoramento de funcionalidade.
Os aplicativos ali dispostos efetivamente se iniciam mais rapidamente.

Existem mudanças também no menu de contexto, que é apresentado quando clicamos
com o botão direito do mouse sobre um atalho. Ele sempre foi genérico, e ganhou
uma nova finalidade no Windows 7. Ele está contextualizado com o aplicativo. Por exemplo no Internet Explorer que, ao clicar com o botão direito do mouse, mostra uma lista das últimas paginas acessadas, ou mesmo o Windows Media Player que mostra as ultimas músicas ou filmes vistos no PC.

A vantagem deste recurso é reduzir a quantidade de cliques para, por exemplo,
abrir um documento fechado recentemente do Word. Basta clicar com o botão
direito do mouse no ícone do Word da barra de inicialização rápida e selecionar
o documento na lista.

Ao parar o mouse sobre um grupo de programas minimizados, o sistema mostra
miniaturas reais dos aplicativos. Na imagem são três Windows Explorer abertos.


Repare no contorno das janelas. Para ativar o recurso, basta clicar em um
pequeno ícone a direita do relógio.

O Aero, que gerou bastante impacto no Vista, ganhou novidades interessantes. A
primeira delas chama-se Aero Peek, um recurso que deixa transparente as janelas
abertas para que o usuário veja a área de trabalho sem ter de minimizar nada.
Outro recurso é o Aero Shake, que deixa visível apenas a janela em uso, caso
você “agite-a” na tela. As demais telas são automaticamente minimizadas.
Agitando-a novamente, as telas voltam. A tecla atalho para o recurso é Windows + Home.

Outro recurso que preza para organização e agilidade na utilização das janelas é o de Ajustar as telas. Ele funciona assim: aproximando uma janela de um dos
cantos do monitor, o sistema a ajusta – em largura e altura – automaticamente.
Fazendo essa tarefa com diversas janelas, cria-se um mosaico organizado na tela
com todas as janelas em tamanhos visíveis.

O uso do recurso pode ser feito via teclado, em qualquer janela. A combinação
tecla do Windows + Seta para direita ou esquerda fixa a tela num dos cantos,
algo bastante útil para manter janelas lado a lado. Além disso, utilize Tecla do Windows + Seta para cima para maximizar e Tecla do Windows + Seta para baixo
para minimizar.

Já em relação aos Temas, o Windows 7 está bem servido. São diversos deles, com
esquemas de cores disponíveis. Também há um recurso bem interessante que
possibilita a troca automática do papel de parede.

Os famosos post its, muito usados para organizar (ou bagunçar!) a área de
trabalho terão uma ferramenta nativa no Windows 7. Os usuários de Tablet PC,
inclusive, poderão fazer notas manuscritas direto nas etiquetas, com o uso da
caneta especial para a tela sensível ao toque do Tablet.

O print screen ganhou um aplicativo próprio que permite diversas formas de
captura de tela, como tela inteira, partes da tela ou áreas desenhadas --
delimitadas -- com o mouse.

Ferramenta de copiar a tela: o Windows conta agora com esse tipo de recurso de
forma mais eficiente.
O tradicional Paint também foi turbinado com novas ferramentas e a sua
interface, aprimorada. Ganhou novos menus e ferramentas que se parecem com o
Office 2007. Ainda não dá, no entanto, para comparar o novo Paint com
ferramentas como o Paint.net, gratuito, que tem diversas funcionalidades interessantes para a edição de imagens. Se o intuito é editar imagens, esqueça o Paint (ele se limita a abrir, aumentar e reduzir imagens, cortar partes, escrever textos sobre fotos e desenhar formas simples).

O Paint está mais bonito, mas ainda é bem limitado. (Foto: Reprodução )

O WordPad também foi aditivado, recebendo uma novo visual, mais parecido com o
Word 2007. Os usuários que não tiverem o MS Office instalado e não optarem pelo
OpenOffice poderão se virar bem com este novo WordPad.

A calculadora, também repaginada, ganhou dois novos modos: Programador e
Estatístico. O modo programador faz cálculos binários e tem opções de álgebra
booleana (se você não entendeu nada, não se assuste: esta opção é voltada para
profissionais de tecnologia). A opção de estatística tem funções de calculo
básicos. Ela não substitui a tradicional HP12C para cálculos estatístico e
financeiro, mas é uma boa opção no PC. Por fim, a calculadora também ganhou um
recurso de conversão de unidades, por exemplo, de pés para metros.

Calculadora com novos módulos para programadores e estatísticos.

O Windows Explorer recebeu também alguma atenção. No Windows Vista ele ficou
estranho: quando se manipulava os modos de visualização e ordenação dos arquivos em uma pasta, havia problemas na hora de exibir as imagens corretas no
thumbnail. Isso não ocorre no Windows 7. Visualmente, ficou mais organizado e os ícones mostram em detalhes as miniaturas independente da ação do usuário.

Um novo botão adicionado à interface permite dividir a tela em três áreas. A
primeira explora o computador, favoritos, rede e etc. A intermediária lista as
pastas e arquivos do PC. Clicando sobre um arquivo, o terceiro painel gera uma
pré-visualização do arquivo, evitando ter de abrir o arquivo para saber o que
tem nele.

Windows Touch

Falei que os ícones do Windows 7 estão visualmente mais bonitos e,
principalmente, maiores. Isso se dá para melhorar a usabilidade em telas
sensíveis ao toque, tecnologia que estará cada vez mais presente nos
computadores e monitores vendidos no mercado. O efeito “iPhone” despertou nas
pessoas o desejo por dispositivos controlados com o uso direto das mãos.

O recurso de sensibilidade é multiponto, ou seja, ele percebe o toque em
diversos pontos da tela ao mesmo tempo, possibilitando funcionalidades como
aumentar e reduzir imagens, como ocorre no smartphone da Apple.

Mudanças técnicas

São muitas as mudanças técnicas presentes no Windows 7. Vou apenas pincelar esse tópico, mas ele será certamente aprofundado em outras colunas, pois aqui moram a grandes vantagens do novo sistema operacional.

O recurso de central de segurança presentes no Windows XP e Vista foi removido
do Windows 7. Um novo serviço, que agrega diversas funcionalidades, foi criado
em sua substituição: é o Action Center.

Action Center permite um controle centralizado e mais organizado dos aplicativos
de segurança, controle de usuários e atualizações do sistema.

Em bom português: A central de ações agrega uma série de aplicações presentes no Windows Vista, como a Central de Contas do Usuário, que gera uma série de
notificações de segurança – amplamente gerenciáveis no Windows 7. Também agrega o Windows Update, Firewall, Programa Antivírus e a Central de Cópias de
Segurança, entre outros aplicativos.

Com isso, a Microsoft quer unificar todas as notificações do sistema em um único ambiente, evitando aquelas irritantes telas de autorização presentes no Windows Vista, que assustavam o usuário com questionamentos sobre liberação de recursos ou aplicativos.

Entrando na ferramenta > Control Panel > System and Security > Action Center, o
sistema exibe uma lista de tudo que precisa ser feito no sistema, separando por
nível de severidade. O que antes ficava espalhado em diversas ferramentas fica
centralizado em uma única tela.

Versões e preços

O Windows 7 será comercializado em cinco versões: Starter, Home Basic, Home
Premium, Professional e Ultimate. A versão Home Basic tem como foco computadores mais limitados. A versão Ultimate chega a ter um pacote com 35 idiomas, possibilitando ao usuário alternar o idioma do sistema, coisa que nunca foi possível no Windows. A versão starter é focada em ultra portáteis, como os netbooks.

Os preços sugeridos giram entre US$ 200 e US$ 350 aproximadamente. O que leva a crer que o novo sistema operacional chegará com um preço salgado aqui no Brasil.

A previsão de lançamento do Windows 7 é ainda este ano. Segundo o Site da
Microsoft, serão disponibilizados kits de atualização para usuários do Windows
Vista qualificados (que receberam uma qualificação da empresa) a partir de 22 de outubro.

Pontos negativos

Painel de Controle: O "modo clássico", que exibia os ícones da mesma maneira que o Windows XP está, por conta da quantidade de ícones, bastante poluída visualmente. Isso não chega exatamente a ser um problema, embora os mais entusiastas possam notar a diferença.

Indexação: O recurso de indexar arquivos para que a busca seja mais rápida ganhou uma pequena melhora em relação ao Windows Vista. O benefício trazido, no entanto, talvez não compense o consumo de recursos do sistema, sobretudo de bateria em usuários de laptops.

Apesar do sistema não iniciar muitos serviços, melhorando o desempenho, alguns
recursos sobem desnecessariamente como suporte a Tablet PCs e compartilhamento de rede. Porem, é possível desabilitar esses recursos para economizar melhorar o desempenho do sistema.

Considerações finais

Eu gostei do novo sistema. Ele pareceu ser estável e melhor organizado em
relação ao Vista. O custo de aquisição da licença é salgado, principalmente se
pensarmos em computadores populares vendidos aos montes atualmente no Brasil,
gerando uma onda de massificação da internet e aumentando a inclusão digital.

Não acredito que o Windows 7 irá mudar as condições do mercado (participação da
Microsoft) ou mesmo barrar o crescimento de sistemas como o Linux, que tem sua
importância e relevância, principalmente no mercado de netbooks, pois seu
desempenho nestes superportáteis bate qualquer versão do Windows.

Colaborou com esta coluna Thiago Guedes, Analista de Sistemas graduado em
Ciências da Computação e especialista em internet.

*Fernando Panissi é especialista em tecnologia e internet, formado em Sistemas de Informação com extensão em gestão. É professor universitário e ministra cursos de extensão em desenvolvimento de sistemas. Vive a internet e suas excentricidades desde 1995 e, nesta coluna, irá compartilhar suas experiências e conhecimentos sobre os mais variados temas ligados à internet, computação e tecnologia. Também tira as dúvidas deixadas pelos leitores na seção de comentários.

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